Todo jogador carrega regras de bolso. Este capítulo precifica seis das mais comuns contra a solução — não como insulto, mas como conta: o custo médio por distribuição de seguir o hábito onde ele se aplica, e a pior mão que ele estraga. Os hábitos caros não são os que o folclore avisa.
Como se precifica um hábito
Cada preço é um desvio único: em cada nó onde o hábito prescreve uma ação, cobramos a diferença entre o valor certificado daquela ação e o da melhor ação disponível, ponderada por quantas vezes a distribuição chega ali. A unidade é pontos percentuais de chance de vencer por distribuição — os mesmos pp da visão CUSTO do lab e do capítulo da mão de onze.
A conta
| Hábito | Preço médio, pp/dist. | Pior mão, pp |
|---|---|---|
| Aceitar todo truco (10×10) | 10.4 | 36.6 |
| Correr de todo truco (10×10) | 6.2 | — |
| Aceitar toda mão de onze no 11×9 | 26.2 | 63.4 |
| Correr de toda mão de onze no 11×10, dando as cartas | 18.7 | 55.3 |
| Abrir com a manilha quando tem uma (10×10) | 4.1 | 19.8 |
| Abrir sempre com a carta mais forte (10×10) | 1.2 | — |
A ordem é o achado. Os hábitos caros são hábitos de resposta — como você reage a um truco ou a uma mão de onze — e os baratos são hábitos de saída. Abrir sempre com a mais forte, a regra de bolso mais repetida, custa mal um ponto por distribuição; pagar todo truco custa oito vezes isso, e aceitar a onze no automático no 11×9 custa vinte vezes.
Lendo a conta
As duas linhas da onze apontam para lados opostos de propósito: no 11×9 o range fecha e o vazamento é aceitar demais, enquanto no 11×10 dando as cartas a corrida está debaixo d'água (44,7%) e o vazamento é correr demais. O mesmo instinto — “cuidado com onze” — é virtude num placar e imposto de 19 pp no outro. Placar primeiro, cartas depois.
Os hábitos de saída são baratos por uma razão estrutural que o capítulo da carta de saída mostra nos gráficos: a maioria das mãos tem várias aberturas a menos de um ponto uma da outra, então até uma regra dogmática costuma cair perto da fronteira. As armadilhas são concentradas — as mãos que saem com o zap, a ~20 pp — e não espalhadas. Decisões de resposta não têm esse colchão: aceitar e correr divergem por mãos inteiras, não por frações.
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